menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A liberdade de informação e o poder político

38 0
25.09.2026

A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista.

Preocupação acrescida, por conhecer (ou pensar que) a mentalidade ideológica do leitor crítico, como as dos respectivos apoiantes também da referida lista subscritora, com direito total à sua opinião e respectiva defesa dos seus princípios e dos seus objectivos, mas que ignoraram algo no seu protesto que lhes deveria ser essencial: a liberdade de informação num país democrático.

Quando se faz um contrato com determinado órgão de informação para nele surgir notícias do município que se governa, trata-se de um negócio, assente na venda e compra de uma mercadoria, e o que se entende por informação transformou-se, de forma camuflada, em propaganda publicitária. Não creio que os críticos do “Jornal Torrejano” o ignorem. São experientes políticos bastantes para saberem o que se passa a nível da informação portuguesa, sobretudo o que acontece diariamente nas redes sociais e na informação televisiva dos diversos canais nacionais.

Compreendo que a orientação política da actual presidência socialista se objective numa publicidade regional/nacional da sua acção, e um periódico tipo “Mirante”, distribuído gratuitamente, com o “Expresso”, lhe seja a oportunidade ideal. Mas não se confunda a nuvem por Juno, e não se ignore que a futura informação não passa de publicidade paga.

Quanto à imprensa concelhia, consoante a liberdade, a qualidade da sua imprensa.

Se na primeira república, Torres Novas, em períodos diversos, manteve vários órgãos de informação, e, após a breve ditadura de Sidónio Pais, apenas subsistiu “O Almonda”, este nas mãos da Igreja Católica, até ao século XXI. Mas, terminou, sem despedida, quando a sua hierarquia considerou que a sua finalidade já não satisfazia os seus objectivos. 52 anos depois de Abril, dois periódicos resistem, no concelho, e procuram, cada um a seu modo, ser vozes activas na sua informação: o “Jornal Torrejano” e o “Riachense”. Criados, na liberdade, defensores desse pluralismo, onde a opinião crítica, contraditória, nunca, que eu saiba, deixou de ser publicada.

Estou à vontade para manter este comentário, que nada tem com a direcção editorial do jornal em causa.

Sou um cidadão politizado, com um passado e um presente de esquerda interventiva, que rompeu,........

© Jornal Torrejano