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O que desajustou o mercado do amor?

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22.04.2026

Desde já, e antes que alguém se assuste com a palavra “mercado” aplicada aos relacionamentos amorosos e à conjugalidade, refira-se que o amor sempre foi, em parte, um processo de escolha mútua num ambiente com oferta limitada, preferências assimétricas e custos de oportunidade. A palavra “mercado” não desumaniza a dinâmica em si, nem inventa a competição, a selectividade ou a escassez, ela apenas descreve o que já existe. Esse “mercado do amor” existe porque o fenómeno envolve oferta e procura, preferências diferenciadas, escassez (de tempo, atenção, fertilidade, compatibilidades várias…), custos de oportunidade (outras pessoas possíveis, tempo e energia…) e valor percebido (atractividade, compatibilidade emocional, física e social, prestígio, etc).

Um primeiro ponto que deve ficar claro é que o problema actual não é a escassez de opções, mas o excesso de escolha, por muito contra-intuitivo que isto possa parecer da perspectiva dos queixosos. Quando temos muitas alternativas disponíveis, aumenta a dificuldade em decidir e cresce a tendência para adiar compromissos. Por sua vez, quando a percepção de alternativas é elevada, tende a diminuir a urgência de decisão.

A vida amorosa passa a ser vista como um campo aberto de possibilidades sucessivas, o que pode contribuir para o adiamento de compromissos duradouros. Encontramos aqui uma das causas mais básicas que contribui para o desajuste no mercado do amor. Enquanto os nossos antepassados formavam famílias por proximidade social e existia alguma filtragem por meio da comunidade, hoje essa escolha é gerida individualmente e com pouca informação. Cada um navega........

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