Navegar à vista em águas rasas
Nos idos de 90 do século passado, Portugal passou por uma discussão sobre um novo modelo de organização territorial. Pela primeira vez — e única! — discutiu-se e levou-se a referendo a regionalização. Quem ainda tem alguma memória do que se passou há 28 anos, recordar-se-á do tom da campanha que antecedeu a consulta aos portugueses. Do lado do “não” muitos não hesitaram em assomar no espaço público com uma refinada argumentação como a da criação de mais “tachos” (lamento, populistas e arrivistas contemporâneos, mas não inventaram nada de novo) e que se iria dividir o país (argumento ousado e de um nível que ombreia com os atuais níveis de populismo rasca) e outras pérolas que ajudaram a envenenar o debate. Ou seja, como é tão habitual entre nós, o que é bom é ficar tudo na mesma, que assim, ao menos, já........
