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O futuro não vota

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16.07.2026

No primeiro volume da trilogia O Problema dos Três Corpos, do escritor chinês Liu Cixin, a humanidade faz uma descoberta que altera para sempre a sua história: uma civilização extraterrestre, tecnologicamente muito superior, está a caminho da Terra. Não chega amanhã. Nem daqui a vinte anos. Chega dentro de quatro séculos. A ameaça é demasiado distante para provocar pânico permanente e demasiado próxima para permitir a indiferença. O problema deixa de ser militar. Passa a ser político: como convencer sucessivas gerações a prepararem-se para um acontecimento que nenhuma delas verá?

Liu Cixin não escreve apenas sobre ciência ou contacto extraterrestre. Escreve sobre o tempo. Sobre a dificuldade em manter uma estratégia durante séculos. Sobre a tendência das sociedades para esquecer perigos distantes quando surgem preocupações mais imediatas. E sobre o facto de uma geração poder comprometer — ou salvar — pessoas que ainda nem nasceram.

É difícil imaginar uma questão mais inconveniente para a democracia contemporânea.

Vivemos numa cultura de enorme aceleração: os mercados, cada vez mais voláteis, reagem em segundos; os governos são escrutinados diariamente; os........

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