Elogio da Gardunha
Lembro-me muito bem disso. Eu, parado na Portela de Alpedrinha, a olhar a minha cidade da Covilhã, a monumental Serra da Estrela e todo o panorama magnifico que se vislumbrava desse miradouro anódino. Estávamos nos finais dos anos sessenta, uns anos sombrios, parados, ainda com a mordaça fascista. Enquanto olhava com sofreguidão toda a Cova da Beira e tentava descobrir a casa dos meus pais e a sua oficina de alfaiate, o meu amigo condutor descansava. Seria uma viagem de perto de nove horas, desde Lisboa, onde estudávamos na universidade, até à Covilhã onde tínhamos nascido. Habitualmente eu regressava de comboio mas várias vezes aproveitei a boleia desse amigo que hoje é um médico de família reformado. Gostava de subir a Gardunha de carro e depois de ter passado por uma Alpedrinha mergulhada no sono do tempo, chegar ao sítio mágico donde se contemplava o Paraíso que era a Cova da Beira. Nunca esqueci esse lugar fascinante e anos mais tarde quando vinha a Portugal, vindo de França onde estava exilado, pedia à minha mulher francesa que parasse o carro aí para contemplarmos juntos a........
