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Nem paz, nem pão, nem habitação, etc.

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26.04.2026

Foi no momento em que Maria se voltou que percebi, pelo azul forte dos olhos, espetados no céu de uma cara ingénua, pelo seu corpo feito de largas circunferências almofadadas, o andar de patinha choca, o segredo da sua vida criminal. Eu também confiaria nesta Maria, como não? De caras, eu confiava nesta senhora.

Maria prometeu em anúncios de jornal o acesso a um bem cada vez mais fugidio e difícil: uma casa em Lisboa a bom preço. Mas o que vi esta semana no tribunal, a poucas horas do 25 de Abril, Dia da Liberdade, foi que esta mulher irá estar presa nos próximos anos a um destino de pagamentos obrigatórios, multas e compromissos impossíveis. Ali estava um extravagante exemplo do anti-ideal de Abril: com ela, e para ela, nem paz, nem pão, nem talvez habitação nem, imagino, saúde.

Era a manhã da sentença e Maria ouvia o juiz: "Ou seja", explicava ele, "se o Estado português conseguir recuperar as quantias, o tribunal declara perdido a........

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