O eclipse das mulheres
Tendo a enamorar-me por fenómenos coletivos. Uma multidão em peregrinação pela berma da estrada para cumprir promessas. Uma cidade acordada madrugada adentro a martelar cabeças alheias. Um país que se junta na praça à hora do jogo da seleção e grita golo a uma só voz. Que sai à janela às nove da noite para aplaudir profissionais de saúde durante uma pandemia. Que sai à rua de cravo na mão para proteger essa flor frágil dos ventos reacionários. Ou que simplesmente pára às sete da tarde de uma quarta-feira para olhar para o sol com óculos de cartão.
Sejam religiosos, populares, desportivos, pandémicos ou astronómicos, há qualquer coisa de fascinante nestes fenómenos capazes de transformar rotinas individuais em........
