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Artes tradicionais

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saturday

Contrariamente ao que diz a sabedoria popular, temos a habilidade de escrever torto em linhas direitas.

Lembrei-me disto ao ler as declarações da representante da Alma do Fio, Associação Filigraneira de Portugal, defendendo a criação de um roteiro da filigrana que, constando do Inventário Nacional do Património Imaterial, mereceria integrar o Património Cultural da Humanidade. Nada mais justo, pelo requinte, a destreza e o saber que esta arte representa. E depois do escrever direito, vamos ao muito torto.

Pelos anos 80, o eng. Valente de Oliveira (político que sabe de país, desenvolvimento, tradições culturais e modernidade), então presidente da CCDRN, tomou a iniciativa de formar a COMARN (Comissão de Apoio ao Artesanato da Região Norte). Envolvendo vários ministérios, o objectivo era proceder ao levantamento das artes tradicionais da região, desenvolver apoios às existentes e promover, através de uma loja no Porto, a venda, a preços justos, da respectiva produção. Reunidas tais condições, foi instalado na Reboleira, em prédio cedido pela CMP, o CRAT (Centro Regional das Artes Tradicionais). O modelo era o dos países escandinavos e, du-rante anos, o Centro constituiu um polo de divulgação das culturas locais, através de exposições e da publicação de estudos exemplares. E na loja do Muro dos Bacalhoeiros comercializava-se a melhor produção artesanal da região. Mas era bom de mais para certas mentalidades. O Estado desinteressou-se do projecto e à CMP não cabia a defesa das artes do Norte. Assim, na luta contra a mediocridade, morrem as ideias inteligentes.

O AUTOR ESCREVE SEGUNDO A ANTIGA ORTOGRAFIA


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