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A Balada do Comandanteda Polícia

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Naquela quarta-feira, o Comandante da Polícia de um belo distrito perdido nas funduras de um país africano andava alucinado, a cuspir pólvora para todos os lados. O Bispo da localidade acusava-o de ser responsável pela morte do postulante Muikinavahia, um jovem que fora detido no domingo anterior, por ter sido apanhado a contar as cadeiras na sala de cinema, no centro da cidade.

– O estupor do postulante! – Dizia o Comandante de si para si. – Raios o partam se estava a contar as cadeiras! Estava era a tentar roubar alguma coisa, aquele sacaninha!

Mas deu-se o caso de o postulante ter morrido sem mais nem menos, de segunda para terça-feira, e agora o Bispo não o largava, sempre a dizer que ele era um grandessíssimo irresponsável, que o país não arredava pé do terceiro mundo por causa de homens como ele, que já tinha apresentado queixa dele nas mais altas instâncias, que aquilo não haveria de passar em vão, que mais isto e mais aquilo e mais não sei o quê. Um inferno!

Como se isto não........

© JM Madeira