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A nuvem tem CEP: por que o Brasil não pode mais adiar o REDATA

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27.08.2026

A palavra “nuvem” ajudou a popularizar a economia digital, mas também criou uma ilusão conveniente: a de que dados circulam pelo mundo sem peso, endereço ou infraestrutura. Não circulam.

Uma transferência via Pix, um prontuário eletrônico, o treinamento de um modelo de inteligência artificial, uma compra on-line ou um serviço do gov.br dependem de galpões repletos de servidores, cabos, sistemas de refrigeração e energia disponível 24 horas por dia.

Data centers são, em outras palavras, a parte física daquilo que aprendemos a tratar como virtual.

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Essa infraestrutura entrou definitivamente na disputa internacional por capital e poder tecnológico. Em 2025, mais de US$ 270 bilhões foram anunciados em novos projetos de data centers. Eles concentraram mais de um quinto do valor global dos investimentos greenfield naquele ano, uma dimensão que ajuda a explicar por que governos passaram a disputar essas instalações como antes disputavam fábricas, portos e grandes plantas industriais.

A mudança é menos exótica do que parece. Ferrovias, petróleo, portos e telecomunicações já reorganizaram hierarquias econômicas. Hoje, semicondutores, redes digitais e capacidade computacional cumprem papel semelhante.

Soberania digital não significa autarquia tecnológica nem manter dados confinados dentro das fronteiras nacionais. Significa ter capacidade de escolha, processar informações, desenvolver inteligência artificial e prestar serviços digitais sem depender excessivamente de infraestrutura localizada em outras jurisdições.

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O problema é que o Brasil ainda depende muito. De acordo com a exposição de motivos da medida provisória, estima-se que cerca de 60% das cargas digitais brasileiras sejam processadas no exterior. Além disso, operar data centers no país é, em média, 30% mais caro, enquanto o Brasil representa apenas cerca de 2% do mercado mundial do setor.

Não se trata apenas de uma questão empresarial. Trata-se de dependência externa em uma infraestrutura sobre a qual funcionarão parcelas cada vez maiores da economia, do Estado e da inovação.

Trata-se de........

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