A democracia venezuelana precisa de ação, não de conversa fiada
CAMBRIDGE – O presidente dos EUA, Donald Trump, tem sido notavelmente franco sobre seus planos para a Venezuela. Numa entrevista à Fox News, ele prometeu reconstruir a infraestrutura petrolífera do país, acrescentando que os Estados Unidos estariam “no comando” e que espera que empresas petrolíferas invistam pelo menos US$ 100 bilhões. Ele também deixou clara sua abordagem: primeiro a reconstrução, depois eleições numa data futura não especificada.
Questionado sobre quando os venezuelanos poderiam votar para uma nova liderança, Trump rejeitou completamente a premissa. “Eles não poderiam ter eleições”, insistiu. “Eles nem saberiam como realizar eleições neste momento”.
Leia também: EUA elevam pressão sobre Venezuela com ameaça de indiciar nova líder Delcy Rodríguez
Continua depois da publicidade
Não importa a vitória esmagadora de Edmundo González nas eleições presidenciais roubadas de 2024, nem que pesquisas recentes mostrem amplo apoio à líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. A implicação não era só que as eleições devem esperar, mas que os venezuelanos são incapazes de se autogovernar até que uma potência estrangeira tenha “reconstruído” o país.
Outros membros do governo ecoaram as falas de Trump. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, ridicularizou a “estrutura neoliberal” de exigir eleições imediatas, defendendo um “processo de transição criterioso, ponderado e cuidadoso”.
O secretário de Estado Marco Rubio, por sua vez, traçou um plano em três etapas: “estabilização”, seguida de “recuperação econômica e reconciliação” e, só então, uma “transição” democrática.
Continua depois da publicidade
Laura Dogu, enviada de Trump à Venezuela, também descreveu uma etapa final que culminaria numa “Venezuela amigável, estável, próspera e democrática”. Nesse quadro, a democracia não é a fonte da legitimidade política, mas sim o último – e........
