Polarização virou risco de negócio e a resposta passa pela comunicação
Há um diagnóstico confortável sobre a polarização: o de que as pessoas ficaram intolerantes. Ele é confortável porque joga o problema no caráter alheio e nos poupa de olhar para o que o produz.
Proponho outra leitura. A polarização não é excesso de conflito; é falta de mediação. E, para as empresas, isso deixou de ser uma questão abstrata: virou risco.
Durante décadas, ciência, imprensa profissional e Justiça funcionaram como filtros. Não eram perfeitos, mas produziam um terreno comum de fatos sobre o qual era possível discordar.
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A antropóloga Letícia Cesarino mostra como esse sistema perdeu força na era das plataformas, cujo modelo de negócios premia o engajamento, e não a verificação. Em seu lugar, ganharam espaço o “ver para crer” da experiência pessoal, as explicações conspiratórias e uma lógica de amigo e inimigo, na qual não importa o que se diz, mas de que lado está quem diz.
É nesse ambiente que a divergência de opinião vira divisão de identidade. Quem discorda não está errado. Está do outro lado.
Um jeito brasileiro de brigar
Roberto DaMatta ajuda a entender a versão brasileira do fenômeno. Ele distinguiu a casa, espaço da família e das relações pessoais, da rua, espaço da lei, do mercado e da impessoalidade.
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Paulo........
