O que o empate esconde, e o que a pesquisa não mede
Felipe Nunes escreveu neste fim de semana a melhor radiografia da eleição que eu li até agora. Dirige a Quaest, tem os dados, e organizou dez padrões que o agregado das pesquisas esconde. Vale ler inteira.
Eu concordo com quase tudo — e é justamente por isso que quero apontar onde, na minha leitura, ele para cedo demais.
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Vou nos pontos dele, na ordem dele.
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1. “Escândalos não movem o voto”
É o item 8 da coluna, e é o mais citado. Caso Master, Flávio e Vorcaro, a crise do Supremo: cobertura ampla, efeito passageiro. Ele explica pela calcificação — cada eleitor filtra o escândalo pela lente do seu lado.
Concordo com o mecanismo. Discordo do objeto.
Escândalo é um evento com nome, data e acusado. Pede que o eleitor aceite uma acusação contra alguém. E o eleitor calcificado, de fato, não aceita — ele já tem o seu escândalo preferido e descarta o outro.
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O que está no ar em 2026 não é isso. É outra coisa, mais difusa e mais pesada: a sensação de que as instituições foram capturadas. O ministro, cujo escritório da família manteve um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, de um banqueiro posteriormente preso, segue julgando. O tribunal que mandou apagar notícias verdadeiras em outros tempos liberou mentira em 2026.
O presidente do TSE que, dias antes da eleição, foi reclamar ao presidente do Supremo de um “TSE paralelo” dentro do próprio Supremo. Esses não são fatos que as pessoas precisam aceitar. É um clima que elas já reconhecem.
A diferença importa porque o clima não converte o calcificado — e nem precisa. Ele age sobre o outro quinto: o que decide na última semana ou no dia, o que votou branco e nulo em 2018, ou o que simplesmente não foi votar. Esse eleitor não muda de lado por escândalo. Ele decide se levanta........
