Hoje são as bets. Amanhã, qual setor estará na mira?
Há informação de que o governo prepara uma Medida Provisória para extinguir as bets no Brasil. Um mercado legal, licenciado e tributado por este mesmo governo seria desmontado por assinatura, a duas semanas da eleição, sem o debate que uma decisão desse tamanho exige. Já seria grave. Mas o instrumento não é o pior. O pior é a ideia por trás dele.
Em 1875, Lysander Spooner escreveu um ensaio cujo título já é o argumento: vícios não são crimes. Vício é o ato pelo qual alguém prejudica a si mesmo ou ao seu patrimônio; crime é o ato pelo qual alguém prejudica outrem. Confundir os dois, dizia ele, é a porta de entrada da tirania, porque um governo autorizado a punir vícios ganha licença para governar cada escolha da vida privada.
Os números mostram que uma pequena minoria possui problemas relacionados ao jogo. Contudo, o fato é que quem aposta de forma compulsiva com o próprio dinheiro não lesa ninguém. Pode estar errando, pode estar se arruinando, mas erra por conta própria, e o direito de errar por conta própria é o nome menos glamouroso da liberdade.
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O Estado não pode proibir uma atividade só porque não gosta dela, porque a acha feia, inútil ou de mau gosto. Se pudesse, não sobraria argumento lógico contra proibir a bebida alcoólica, a picanha, o pastel de feira, o funk, a novela das nove, o videogame, o carnaval, o Big Brother, a corrida de rua que dá infarto e o namoro que dá desgosto. Tudo isso faz mal a alguém, tudo isso pode viciar alguém, e ninguém em sã consciência propõe fechar o mercado da picanha ou das bebidas alcoólicas por........
