As taxas de juros elevadas são cíclicas ou estruturais?
A resposta à provocação acima é: provavelmente, os dois!
Em forte contraste com o início do ano, quando ventos favoráveis do ciclo econômico contribuíam para condições monetárias domésticas mais frouxas e, de fato, para o início de um ciclo de cortes de juros, a combinação de inflação global mais elevada, juros internacionais mais altos e um novo impulso fiscal doméstico interromperam abruptamente o avanço do ciclo.
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Os mercados ainda precificam a possibilidade de um corte adicional da Selic em agosto, mas esse cenário está longe de ser garantido: os riscos externos continuam abundantes e o resultado das eleições permanece uma grande incógnita.
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No entanto, a interrupção dos fatores cíclicos domésticos tem implicações muito mais amplas do que apenas para a política monetária de curto prazo.
As expectativas para a política monetária de longo prazo também vêm aumentando, inclusive para horizontes de três a quatro anos à frente, um bom indicador empírico da taxa nominal de juros de equilíbrio — ou taxa neutra — esperada para a economia.
Na pesquisa Focus, a expectativa para a Selic em 2028 e 2029 já supera 10%, atingindo os níveis mais elevados desde 2014–2015. O que esse dado revela sobre as características estruturais da economia brasileira?
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