Alpha Capture System: o dinheiro “fantasma” no Brasil
Caros(as) leitores(as),Sempre me encantei com o desafio intelectual que o mercado proporciona, acima de tudo, um exercício de humildade constante. Não apenas nos movimentos dos ativos, mas como ele se comporta feito organismo vivo e está em contínua evolução.
Entre as centenas de reuniões com gestores de recursos em 2025, uma delas trouxe algo inusitado. “Estamos com uma nova linha de negócio, vai ajudar na saúde financeira da empresa e retenção de time, é como uma consultoria a um alocador estrangeiro” disse o gestor em questão.
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Fiquei curioso, o que seria?
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“É um modelo de captura de alpha por meio de sinais”, prontamente me respondeu. De maneira geral, não é uma novidade por completo, mas com “asset managers” essa foi a primeira vez.Muitos fundos sistemáticos se apoiam em sinais para tomada de decisão. A inteligência recebe um estímulo por meio de dados, organizados ou não, para comprar ou vender, interagir com o mercado.Alguns desses modelos, por exemplo, podem usar a recomendação dos analistas de “sellside”. Compra, venda e neutro, parecem funcionar bem como algum indicador, talvez de consenso.Essas gestoras quantitativas com alguns bilhões de dólares sob gestão passam então a serem “consumidoras” de dados e, para quem fornece, uma oportunidade de monetização. Muitas casas de análise se acostumaram a “vender sinais” aos high frequency traders.
O que poucos sabem é que eles passaram a ofertar uma espécie similar de contrato para o “buyside”. Ou seja, uma gestora comprando “sinais” de outra.Normalmente, um AuM (assets under management) é tomado como base, em janelas observáveis trimestrais (ou mais), onde a gestora contratada receberá uma taxa de administração e performance pelos resultados construídos no período de sua carteira sendo aberta em tempo real – nem todos são acordados sob o portfólio do fundo, mas sempre análogo a essa linha. Porém, você nunca saberá se o “fundo quant gringo” vai implementar os trade ideas, muito menos se será em cima desse valor fictício combinado.O dinheiro pode simplesmente não vir para o Brasil. Esse “quant” não se tornará cotista da gestora brasileira, não vai abrir um fundo exclusivo, muito menos uma SMA (separately managed account).Os brasileiros não vão agregar AuM em suas casas, por mais que os valores sintéticos possam ser altos e em dólares. É apenas uma fonte de receita adicional.Esse dinheiro fantasma no Brasil demonstra um interesse claro do estrangeiro em monitorar a região com “guias turísticos” e eventualmente se apropriar melhor do “debasement trade”. Escancara que o empreendedor brasileiro, não importa o setor ou o tamanho do inverno, consegue ser criativo e “sobreviver” ao país do juro real elevado, dos desequilíbrios causados pelas isenções.
Uma nova forma de encarar a alocação global de recursos, que endereça problemas de capacity das estratégias locais. Assombrações artificiais que devem causar cada vez mais volatilidade e alterar a fisionomia do mercado.
