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Quatro anos sem Olavo de Carvalho, o profeta da tragédia brasileira

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29.01.2026

Há quatro anos, o Brasil perdia Olavo de Carvalho. Há 28 anos, eu o ganhava. É impossível não imaginar o que ele estaria dizendo sobre a atual situação do país e o escândalo interminável do Regime PT-STF (algo que, diga-se, ele anteviu como um profeta).

Que falta o Olavo faz! Imaginem seus comentários e análises sobre Lula, Moraes, Toffoli, Lewandowski, Vorcaro!

Mas nunca entenderemos a importância do Olavo limitando-nos às suas análises políticas, sem conhecer a grandeza de sua personalidade. É sobre essa personalidade que vou falar hoje. Mais do que nunca, precisamos recordá-la — para assim fortalecer as nossas.

Em 2017, depois de fazer uma palestra em Harvard, Olavo foi jantar com familiares e amigos em um pequeno restaurante de frutos do mar, no mercado central de Boston. Lá foram atendidos por um velhinho grego que era, ao mesmo tempo, dono e garçom da casa. Como uma equipe de TV pediu para fazer uma entrevista com Olavo no local, o proprietário do restaurante percebeu que se tratava de uma pessoa “famosa”.

Depois da entrevista, o velhinho grego se aproximou de Olavo e, com muita discrição, perguntou, em inglês, quem ele era. Olavo respondeu com a habitual gentileza e convidou o proprietário a sentar-se. O rosto do homem se encheu de surpresa:
— Olavo de Carvalho, o filósofo?
— Sim, sou eu mesmo.

Então o velhinho começou a chorar.

Na juventude, o velhinho havia estudado filosofia. Tempos atrás, ele recebera pela internet um artigo sobre religião, traduzido para o inglês, e o havia dado para o filho ler. Após a leitura do texto, o moço decidiu voltar à Igreja, da qual estava afastado havia muito tempo. O dono do restaurante fizera questão de guardar o nome daquele autor que tanto bem fizera ao seu filho: era Olavo de Carvalho, “brazilian philosopher and writer”. E agora o homem estava ali, diante dele.

Nos anos 70, meu pai me levava todos os fins de semana para a AABB, um clube de campo localizado na Estrada de Itapecerica da Serra, em São Paulo. Um dos meus passatempos preferidos nesses dias — eu devia ter o quê? oito, nove anos? — era ir até a pequena biblioteca do clube. Ali, um livro grossíssimo me chamava a atenção com seu........

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