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SSPX retoma o caminho do cisma ao anunciar ordenações de bispos

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11.02.2026

Os anos 80 estão de volta. Boa música? Brasil dominando a Fórmula 1? Mullets? Humor de qualidade sem policiamento ideológico/identitário? Hiperinflação? Não, nada disso: o revival é de ordenações episcopais sem mandato pontifício pelos tradicionalistas radicais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (SSPX). Em 1988, Marcel Lefebvre e Antônio de Castro Mayer ordenaram quatro bispos sem permissão do papa, e todos os envolvidos foram automaticamente excomungados; dias atrás, o superior da SSPX, padre Davide Pagliarani, confirmou que a instituição repetirá a dose em 1.º de julho.

No comunicado, com data de 2 de fevereiro, a SSPX afirma que a decisão foi tomada “depois de [a Fraternidade] ter recebido da Santa Sé, nos últimos dias, uma carta que não responde de modo algum às nossas solicitações” – sabe-se que os lefebvristas haviam manifestado ao papa “explicitamente a necessidade específica da Fraternidade de assegurar a continuação do ministério dos seus bispos”, ou seja, havia solicitado ao papa que designasse novos bispos para a SSPX; se houve outras solicitações além dessa, não sabemos, como também não sabemos os motivos alegados pelo Vaticano para negar, ao menos por enquanto, as nomeações episcopais.

Mesmo assim, não seria muito difícil de adivinhar as razões do papa. Como conceder novos bispos a uma instituição que nem sequer tem status canônico regular dentro da Igreja? Que mina constantemente a autoridade da Igreja, deslegitimando uma liturgia promulgada de forma legítima pelo papa, com a autoridade das chaves, a ponto de afirmar que a missa nova não cumpre o preceito dominical e que os católicos não têm a obrigação de ir à missa se não houver missa tridentina por perto? O mínimo que se se esperaria, antes que o papa resolvesse dar novos bispos à SSPX, seria uma mudança fundamental na postura dos lefebvristas. Mas não: em uma entrevista ao site da própria SSPX, o padre Pagliarani chegou ao ponto de dizer que “em uma paróquia comum, os fiéis já não encontram os meios necessários para garantir sua salvação eterna”. Como assim? Dizer uma coisa dessas e ao mesmo tempo esperar um gesto tão magnânimo da parte do papa é ilusão pura (na melhor das hipóteses).

O mínimo que se se esperaria, antes que o papa resolvesse dar novos bispos à SSPX, seria uma mudança fundamental na postura dos lefebvristas. Mas isso jamais ocorreu

Um padre da Fraternidade de São Pedro, grupo também tradicionalista, mas em comunhão plena com a Igreja (como o Instituto Cristo Rei e o Instituto Bom Pastor), publicou uma crítica certeira – que não achei no original, mas foi traduzida e publicada pelo padre José Eduardo – à decisão dos lefebvristas, apontando a contradição dos que dizem reconhecer o papa e rezar por ele, mas lhe negam a submissão quando um papa concreto toma uma decisão concreta que lhes desagrada: “para eles [a SSPX], a hierarquia eclesiástica termina na casa geral de Menzingen [onde fica a sede da SSPX]”, diz o padre Martin Ramm, da FSSP. Diz o padre Pagliarani na entrevista que procurou Leão XIV em........

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