menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O destempero e a megalomania de Trump contra o papa Leão XIV

20 0
13.04.2026

Nas imortais palavras de Tino Marcos, Donald Trump sentiu. Na noite de domingo, o presidente norte-americano surtou na sua rede social particular e chamou o papa Leão XIV de “fraco contra o crime”; insinuou que o cardeal Robert Prevost nem estava entre os cotados para o pontificado e só foi eleito no conclave do ano passado por ser norte-americano e porque Trump estava na Casa Branca; e afirmou que o pontífice considera aceitável que o Irã tenha armas nucleares, entre outras bobagens. Para completar, ainda publicou (parece que apagou depois) uma imagem blasfema, em que aparece vestido como Jesus, curando um doente, rodeado de figuras características do imaginário americano, bandeiras, águias, Estátua da Liberdade, caças etc.

Tudo isso é uma resposta aos apelos por paz que o papa vem fazendo há muito tempo. No Domingo de Ramos, por exemplo, Leão XIV exaltou o papel de Jesus como o Rei da Paz, “um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: ‘Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue’ (Is 1, 15)”. Na mensagem Urbi et Orbi, no domingo de Páscoa, pediu: “Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”, e lamentou que “estamos a habituar-nos à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam”. Neste sábado, na vigília de oração pela paz, voltou a criticar o fato de que “o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte” e fez novo apelo à deposição das armas. A única manifestação mais direta em relação a Trump foi sua crítica, na terça-feira passada, à ameaça feita pelo norte-americano ao Irã, dizendo que “uma civilização inteira vai perecer”: na ocasião, o papa classificou a afirmação como “inaceitável” (porque era inaceitável mesmo).

Claro, alguns fatos ajudam a entender o que há de tão errado nisso. Prevost não era um azarão: aparecia, sim, em listas (não todas), até porque era prefeito de um dicastério importante, com o qual bispos do mundo inteiro entram em contato quando vão a Roma; eu mesmo o mencionei em algumas colunas antes do........

© Gazeta do Povo