Leão XIV está cercado de rebeldes por todos os lados
Começo a escrever esta coluna na segunda-feira, solenidade de São Pedro e São Paulo – eu sei, no Brasil comemoramos no domingo, mas a data certa é 29 –, com uma constatação: o papa que está se esforçando pela unidade da Igreja está, infelizmente, cercado por rebeldes que não dão o menor sinal de que pretendem mudar de postura.
Duas semanas atrás, o cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, como todo bom relógio quebrado, teve seu raro momento de acerto. Em uma carta, ele respondeu negativamente a um pedido do presidente da conferência episcopal alemã para que leigos pudessem fazer a homilia após a proclamação do Evangelho nas missas, algo que o cânone 767 do Código de Direito Canônico reserva ao clero ordenado (diáconos, padres e bispos). A explicação é simples, e ninguém precisa ser especialista em teologia dos sacramentos para entender: a homilia “constitui um exercício específico do munus docendi conferido ao ministro ordenado”, em referência à graça e à missão específicas que um diácono ou padre recebe no momento de sua ordenação para bem ensinar.
O cardeal Roche lembrou, ainda, que há outros momentos em que um leigo pode pregar, mas não na missa, “que não é simplesmente uma ocasião de instrução, mas o lugar privilegiado em que os fiéis são imersos no mistério da salvação”. E ele ainda recusou o truque semântico que os “sinodais” alemães queriam empurrar goela abaixo do Vaticano, dizendo que não seria uma homilia, mas um “sermão”. Afinal, se o tal “sermão” é feito na hora da homilia e tem a função da homilia, só pode ser homilia, independentemente do nome que queiram dar a isso. Enfim, tremenda bola dentro do cardeal Roche.
“Onde estiver presente um padre para celebrar a Eucaristia, ele também está presente para exercer o ministério de pregação da homilia, atribuído a ele em virtude de sua ordenação.”Trecho da carta do........
