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JD Vance quer ensinar o papa a rezar missa

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21.04.2026

Entre seu pai espiritual e seu chefe político, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, também fez sua escolha. Não bastou dar uma explicação diferente daquela oferecida pelo próprio Donald Trump sobre a imagem blasfema que o presidente publicou (e depois apagou) – Trump disse ter achado que aquele manto e túnica eram roupas de um médico da Cruz Vermelha, enquanto Vance disse que era uma “piada” que Trump apagou porque as pessoas não entenderam o senso de humor do presidente. O vice-presidente, católico desde 2019, resolveu também dar lição de moral no papa Leão XIV na semana passada, ecoando um tipo de laicismo da pior espécie.

Primeiro, em entrevista à Fox News, Vance disse que “seria melhor para o Vaticano se limitar a assuntos morais e deixar o presidente dos Estados Unidos ditar as políticas públicas americanas”. Na sequência, em evento do Turning Point no estado da Geórgia, Vance disse que “é muito, muito importante para o papa ser cuidadoso quando fala de assuntos teológicos. Uma das questões aqui é que, se você vai dar opinião em assuntos teológicos, tem de ser cuidadoso, precisa ter certeza de estar ancorado na verdade. Isso é o que eu tento fazer, e é algo que eu certamente espero do clero, seja católico ou protestante”.

Comecemos pela segunda fala. Não deixa de ser uma enorme ironia que Vance tenha disso isso no momento em que o papa estava na Argélia, visitando as ruínas do que um dia foi a cidade de Hipona, da qual Santo Agostinho foi bispo. Agostinho, como nós sabemos (e espero que Vance também saiba), foi o primeiro grande filósofo e teólogo cristão a articular uma doutrina da guerra justa; e Leão XIV, sendo um egresso da ordem agostiniana, é um profundo conhecedor da obra do santo. Algo que não tem faltado, nas declarações do papa sobre os atuais conflitos, é “cuidado” e embasamento na verdade. Quanto a Vance, bem, não é a primeira vez que ele se enrosca com o pensamento de Santo Agostinho, já que no passado ele tentou instrumentalizar o conceito de ordo amoris para justificar a política migratória de Trump.

“Não creio que este conflito cumpra os critérios da guerra justa. Eu estou do lado do Santo Padre e seu apelo por paz. Isso não é sobre política, mas sobre verdade moral.”Joseph Strickland, bispo emérito de Tyler, em entrevista à BBC.

“Não creio que este conflito cumpra os critérios da guerra justa. Eu estou do lado do Santo Padre e seu apelo por paz. Isso não é sobre política, mas sobre verdade moral.”

E isso nos traz à primeira fala de Vance: a guerra é, sim, uma questão moral. O argumento de Vance deixa implícito que a Igreja só deveria se pronunciar sobre assuntos mais ligados ao comportamento........

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