Tá dominado, tá tudo dominado! — O viés ideológico no poder
Um dos fenômenos mais relevantes — e menos debatidos de forma honesta — no Brasil é a assimetria ideológica entre a maioria da população e determinadas elites. Pesquisas revelam reiteradamente que o eleitorado brasileiro é majoritariamente conservador ou se declara de direita em assuntos como costumes, segurança pública, liberdade econômica e religião.
Ao mesmo tempo, a esquerda mantém, há décadas, a hegemonia em três centros estratégicos de poder e produção de narrativas: a grande mídia, o mundo acadêmico e o Judiciário.
Essa discrepância não é acidental nem neutra: formal ou informalmente, instituições atuam como bastiões ideológicos que moldam a agenda pública de forma enviesada, distorcendo a representação democrática. Como dizia a letra de um antigo funk da produtora carioca Furacão 2000, “tá dominado, tá tudo dominado!”.
Na mídia, o predomínio das visões progressistas é evidente, ainda que seja frequentemente negado pelos próprios jornalistas. Grandes redações, portais de notícias e canais de TV formatam os debates com base em premissas como a desconfiança do mercado, o assistencialismo estatal, a relativização dos valores tradicionais e um moralismo político que opõe progressistas iluminados a reacionários atrasados.
Não se trata de afirmar que jornalistas devem ser neutros — a neutralidade absoluta é uma ficção —, mas de reconhecer que o pluralismo nas redações foi substituído por uma homogeneidade ideológica nociva, que marginaliza ou criminaliza vozes........
