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Entre Washington e Pequim, a América Latina faz a escolha errada

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26.03.2026

Acabo de voltar de Lima, a capital do Peru, onde participei de uma conferência com empresários e acadêmicos locais sobre um dos temas mais importantes para o futuro da América Latina: como nossos países devem se posicionar diante da disputa entre China e Estados Unidos. A pergunta apareceu de várias formas, com diferentes tons e preocupações, mas sempre girando em torno do mesmo dilema: é preciso escolher um lado? Minha resposta foi simples: a pergunta está errada.

Existe um falso dilema que se espalhou pela região. O primeiro é o de que seria preciso escolher entre China e Estados Unidos, como se a região fosse obrigada a fazer parte de uma torcida. O segundo, igualmente enganoso, é o de que bastaria jogar com os dois lados ao mesmo tempo para extrair vantagens infinitas, sem custo estratégico algum.

Esse é o ponto que boa parte da região ainda não compreendeu, ou finge não compreender. Não se trata de defender o rompimento de relações econômicas com a China. Isso seria infantil, irreal e contraproducente. A China é um ator central no comércio global e continuará sendo. Diversos países mantêm relações intensas com os chineses sem, por isso, abrir mão de sua autonomia estratégica ou de seu vínculo político com o Ocidente. Negócios são negócios.

O problema começa quando negócios deixam de ser negócios e passam a ser instrumentos de alinhamento político, dependência tecnológica, vulnerabilidade institucional e captura estratégica. É aí que a discussão muda de natureza. E é exatamente aí que o Brasil está errando.

Sob Lula, o país deixou de tratar sua relação com a China como uma agenda comercial importante para tratá-la como uma espécie de projeto político. O governo petista não esconde sua disposição de aproximar o Brasil de Pequim em nome de uma visão ideológica de mundo, marcada por antiamericanismo, terceiromundismo reciclado e nostalgia de uma política externa que confunde pretensão retórica com grandeza real.

O resultado é........

© Gazeta do Povo