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O estado ('ad hoc') da União

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Ao contrário das raízes do projeto de construção europeia, os discursos do Estado da União Europeia (SOTEU) são uma invenção recente. Começaram, aliás, num estilo bastante diferente. Inaugurados em 2010, era Durão Barroso Presidente da Comissão Europeia, estes discursos visavam sobretudo dar à Comissão uma oportunidade para apresentar o programa de trabalho da Comissão Europeia, numa altura que em que a União atravessava as primeiras grandes tensões entre o Norte e o Sul a braços com uma crise financeira e profunda.

Estes momentos foram ganhando peso e alguma teatralidade. Mas foi sobretudo com Ursula von der Leyen que o SOTEU se transformou num acontecimento político de pleno direito, com heróis, tragédias e convidados de honra. Em 2025, Sasha, a criança ucraniana raptada pelas forças russas. Este ano, Rune Kyndal, o piloto dinamarquês que morreu a combater incêndios na Grécia. E Mark Carney, o primeiro-ministro canadiano sentado na primeira fila e o principal impulsionador, desde o seu discurso em Davos, de uma ordem internacional que agregue os “middle powers”, que mais têm a ganhar em preservar a ordem internacional que a União Europeia sempre defendeu.

Mas para lá da encenação (cada vez mais perto do estilo americano na sua dramaturgia), o que o discurso desta manhã em Estrasburgo confirmou foi a multiplicação de formas institucionais ad hoc........

© Expresso