Porque é que tantos líderes políticos portugueses têm raízes na Beira Baixa?
Se analisarmos o local de nascimento e, nalguns casos, as origens familiares dos 23 portugueses que exerceram funções de chefe de Estado ou chefe de Governo desde o 25 de Abril, a Beira Baixa surge como a região mais representada a seguir à Estremadura (Lisboa).
No total, nove governantes são oriundos do concelho de Lisboa — Mário Soares, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Gonçalves, Alfredo Nobre da Costa, Pinto Balsemão, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e António Costa. A Beira Baixa reúne quatro nomes — Ramalho Eanes, António Guterres, José Sócrates e António José Seguro. Incluo aqui os socialistas Guterres e Sócrates porque, embora não tenham nascido no distrito de Castelo Branco, por lá passou uma parte relevante do seu percurso e/ou têm ligações familiares a essa região. Todas as outras macrorregiões têm, no máximo, dois governantes, incluindo o distrito do Porto (Sá Carneiro e Luís Montenegro).
É um feito notável, uma anomalia política difícil de explicar. Porque é que uma das regiões mais pobres do país produz tantos líderes políticos?
Uma hipótese é que a pobreza é condição, não exceção. Historicamente, é uma região de não-gentes, apagadas dos mapas da atenção da capital. Recortada por montanhas escarpadas (Gardunha, Estrela, Talhadas, Malcata, Muradal) e rios apartadores (Zêzere, Tejo, Ocreza, Ponsul, Erges) e enroupada por um manto de pinheiros-bravos, a infraestrutura pública da Coroa chegou mais tarde à Beira Baixa do que a qualquer outra região. Estradas, pontes e caminho-de-ferro foram construídos, como quem atira umas moedas aos........
