Brasil e o custo da desconfiança dos mercados
Os mercados financeiros brasileiros reagiram desfavoravelmente à reeleição de Lula da Silva, no passado domingo, 25 de outubro. Há três semanas, a reação foi diferente. Duas votações, duas reações opostas, que refletem sobretudo as diferentes expectativas dos investidores quanto ao futuro da política económica brasileira.
Na sessão seguinte à primeira volta de 4 de outubro, o principal índice acionista brasileiro, o Bovespa, ganhou 7,7%, o real valorizou cerca de 4% face ao dólar e os rendimentos da dívida pública brasileira a dez anos desceram de 14,27% para 12,97%, uma queda de 130 pontos base. Tudo leva a crer que os investidores antecipavam uma vitória de Bolsonaro na segunda volta.
Na segunda-feira, 26 de outubro, o Bovespa perdeu 13,88%, a maior queda diária desde março de 2020, chegando a desvalorizar mais de 17% durante a sessão. As elevadas perdas obrigaram mesmo à suspensão temporária das negociações. A moeda brasileira depreciou-se. O dólar ganhou 8,21%, para 5,40 reais, enquanto o euro passou de 5,65 para 6,04 reais.
Na mesma sessão, as ações do banco Bradesco perderam 21,7%, enquanto o Banco do Brasil desvalorizou 29,3% e o Itaú 13,7%. O setor bancário foi penalizado pelos receios de deterioração das contas públicas e de menor crescimento económico, com consequências para a concessão de crédito. As empresas mais dependentes da procura interna e de financiamento também tiveram quedas acentuadas, como a retalhista Magazine Luiza, que perdeu mais de metade........
