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O que nos diz o passado sobre o futuro da IA

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05.10.2026

Nas últimas semanas, voltou a circular a narrativa de que a IA poderia destruir a humanidade. Uma ideia que até então se restringia à ficção científica é agora tema de debate público, criando a percepção de que existe um caminho direto entre os sistemas que atualmente escrevem os nossos textos, produzem imagens ou geram software e uma futura inteligência autónoma capaz de exterminar a humanidade.

A explicação mais prosaica é que estamos perante mais um exemplo do ciclo de euforia tecnológica, alimentado por investimentos colossais, pela competição entre empresas e por expectativas financeiras provavelmente insustentáveis. Não devemos ignorar que as tecnologias têm riscos, mas estamos, fundamentalmente, a confundir o que estes sistemas são capazes de fazer com um século de ficção científica em que as máquinas se revoltam e nos conduzem à extinção. Para compreender o futuro da IA, talvez seja mais útil analisar a história da informática.

Um dos pioneiros da computação, Edsger W. Dijkstra, fez, em 1984, uma das observações mais perspicazes sobre a inteligência artificial, dizendo que “a questão de saber se um computador pode pensar não é mais interessante do que a questão de saber se um submarino pode nadar”. Curiosamente, na Super Bowl de 1984, Ridley Scott vendia-nos o Macintosh através de George Orwell. A informática nunca conseguiu resistir ao marketing por meio da ficção científica.

A analogia de Dijkstra continua a ser hoje notavelmente relevante: um submarino não precisa de reproduzir biologicamente um peixe para atravessar um oceano, tal como um computador não precisa de pensar como um ser humano para produzir resultados que consideramos inteligentes.

Tal não significa que a tecnologia seja inofensiva e o seu desenvolvimento sem regras seja aceitável. Capacidade e consciência são temas distintos. As armas não pensam, e os vírus de computador também não. Existem razões válidas para examinar os riscos extremos associados à IA, mas, de momento,........

© Expresso