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Mr. JK Rowling, a única coisa que nós matámos foi um homem

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21.04.2026

Há um tipo específico de cansaço que só quem é alvo de uma cruzada organizada conhece. Não é o cansaço de trabalhar muito. É o cansaço de acordar todos os dias e descobrir que alguém gastou dinheiro, tempo e advogados para garantir que continues a ser um problema a resolver.

Estamos exaustas. Não de existir. Dessa parte já tratámos. Estamos exaustas de ter de justificar a existência perante pessoas que nunca a questionaram a si próprias. Em maio de 2025, J. K. Rowling anunciou a criação do JK Rowling Women's Fund. Um fundo privado, financiado com a sua fortuna pessoal, dedicado a financiar ações legais contra os direitos das pessoas trans.

A autora, cujo património é estimado em mais de mil milhões de dólares, acumulado maioritariamente com a venda de livros a crianças, decidiu que a melhor aplicação desse dinheiro era garantir que mulheres trans fossem excluídas da definição legal de mulher. Conseguiu. Em abril de 2025, o Supremo Tribunal britânico decidiu que a palavra mulher se refere exclusivamente ao sexo biológico. Rowling celebrou com uma fotografia a fumar um charuto e a beber um cocktail. A legenda: "Adoro quando um plano se concretiza." Não foi a primeira vez.

Em 2024 tinha doado 70 mil libras à organização For Women Scotland. A cada vitória legal, uma fotografia comemorativa. A cada derrota dos nossos direitos, um charuto. Há uma ironia que não consigo deixar passar. A milionária publicou os seus primeiros........

© Expresso