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Um acordo de Schrödinger no Médio Oriente

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29.05.2026

Há acordos que existem apenas enquanto ninguém os cumpre. O Médio Oriente entrou num território meio diplomático, meio metafísico, onde todos os atores precisam simultaneamente de um entendimento e da impossibilidade de lhe chamar paz. Um acordo de Schrödinger: vivo e morto ao mesmo tempo, apalavrado sem nunca ser assinado.

Washington e Teerão aproximam-se hoje não porque tenham resolvido alguma coisa, mas porque perceberam o custo crescente de continuar a fingir que ainda conseguem impor uma solução unilateral. O que se negoceia não é o fim do programa nuclear iraniano. É uma descida da temperatura. Uma gestão atmosférica da crise. Sessenta dias, talvez mais alguns. Reabrir Ormuz. Acalmar empresas petrolíferas, seguradoras, mercados e campanhas eleitorais. Ganhar tempo tornou-se a única forma aceitável de perder menos.

É precisamente isso que torna este momento mais perigoso do que parece. As guerras clássicas tinham objetivos definidos, vitórias imagináveis e derrotas reconhecíveis. O novo Médio Oriente funciona por exaustão mútua. Nenhum ator consegue destruir o outro, mas muitos aprenderam a degradar lentamente a estabilidade regional até ao ponto em que o custo económico global obriga alguém a telefonar – ou no manual trumpiano, também bombardear – primeiro.

Durante décadas, a lógica estratégica americana assentou numa ideia simples: a superioridade militar produz inevitavelmente superioridade política. Mas o regime dos aiatolas........

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