A palavra que devia estar no centro das três cimeiras da UE
A cimeira europeia que decorreu na última semana na Bélgica e as cimeiras sobre Indústria e Defesa deviam ter no seu centro a palavra Inovação. É na inovação que a Europa se deixou ficar para trás face aos EUA e à China, em muitas áreas, como o digital ou os veículos elétricos. É pela inovação que a Europa pode criar áreas de liderança na indústria e na defesa. É também pela Inovação que pode criar espaço para prosseguir uma agenda de sustentabilidade que, em vez de ser um peso para a indústria europeia, a possa tornar mais competitiva.
As posições europeias nesta cimeira de líderes estão divididas entre os que acham que a chave da competitividade e do reforço da indústria europeia está na desregulamentação, em particular em moderar as fortes restrições ambientais, posição em que a Alemanha e Itália surgem como grandes defensores, e os que, como Macron, consideram que devemos responder às tarifas e restrições de Trump, com a preferência europeia, um movimento no sentido de colocar os europeus a comprar mais europeu.
Pelo meio António Costa e Ursula von der Leyen tentam, e bem, promover uma agenda de avanços na remoção a barreiras ao mercado interno, reforço da integração financeira e aumento da capacidade financeira da UE para alavancar o investimento e o apoio à Inovação.
A ideia de preferência Europeia, se limitada a compras em áreas estratégicas necessárias para reforçar a resiliência, como a indústria da defesa, pode ser considerada e pode ser positiva. Mas este conceito, se generalizado, levaria a um fechar da UE e a menor transparência e eficiência nas compras públicas.
A UE não pode reagir a Trump fazendo igual. E os recentes acordos, com a India e o Mercosul, mostram que há um caminho diferente, bem mais interessante do que o protecionismo. A UE pode não ser uma grande potência militar, mas é uma potencia comercial importante. A Europa tem marcas prestigiadas, capacidade de fabrico de alta qualidade, tem empresas que lideram em áreas tão diferentes como a farmacêutica, a biotecnologia, o automóvel e a aeronáutica. Tudo deve fazer para se manter como um parceiro comercial importante e estável.
Competitividade e Defesa Só com Mais Inovação
A necessidade de impulsionar a inovação estava no centro do relatório Draghi. E nenhuma política industrial europeia pode ser levada a sério se não tiver no reforço da Inovação o centro da sua estratégia. Para isso é necessário reforçar o investimento e os fundos dedicados à inovação, quer a nível nacional, quer comunitário.
Esse esforço tem de ser feito de forma conjunta entre o setor público, as universidades, e as empresas. Tem de escolher........
