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Aeroporto de Cascais, um projeto elogiável

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10.03.2026

Cumpre-se agora precisamente um ano desde que este mesmo jornal publicou um artigo que intitulei ‘Aeroporto de Cascais, um projeto inexplicável’. Artigo esse, assumidamente bastante crítico para com o então presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, pela sua insistência em apresentar um modelo de concessão para o atual Aeródromo Municipal de Cascais (AMC) em Tires, económica e socialmente errado, que levaria “à extinção e não à criação de postos de trabalho locais, para impor um projeto que ninguém compreende e que não será viável sem os movimentos das escolas, pois sem elas a atividade do aeródromo ficaria limitada a três ou quatro movimentos por dia de aviões executivos, como os números oficiais assim comprovam”.

Tudo isso, felizmente, um ano depois na sequência das últimas eleições autárquicas, são agora águas passadas. E é com grande satisfação que, depois de criticar a contragosto a falta de estratégia do anterior presidente da autarquia, aqui venho elogiar, com toda a justiça, a visão revelada pelo atual, Nuno Piteira Lopes.

Duas alterações substanciais relevam e devem ser mencionadas: Em primeiro lugar, a decisão de Piteira Lopes de reverter a ideia de uma concessão do AMC para mãos privadas, privilegiando o projeto como um ativo a deter como património público. Desde logo, existe aí uma diferença enorme que transforma o que se afigurava ter tudo para tornar-se um problemático negócio privado num virtuoso projeto assente num modelo de serviço público, a várias dimensões.

Em segundo lugar, enquanto no modelo anterior a Câmara de Cascais excluía as escolas de formação aeronáutica já presentes no terreno e com provas dadas, agora existe a clara vontade de incluir no projeto as diferentes componentes que tornam a oferta formativa do futuro hub abrangente e verdadeiramente complementar.

Como o próprio atual presidente de Cascais já teve ocasião de partilhar, nomeadamente num evento que reuniu no Estoril centenas de stakeholders envolvidos nas diferentes dimensões do projeto, a estratégia do atual presidente de Cascais é a transformação da infraestrutura num hub de inovação aeronáutica, com destaque para a formação profissional e académica no setor. Integrando educação, tecnologia de ponta e parcerias com a capacidade de posicionar Cascais (e com ela, Portugal) como um polo de excelência na formação para a aviação civil.

Nesse sentido, o projeto tem agora como enfoque, graças a este novo executivo, a criação de um ecossistema integrado que une academia, indústria e investigação, com ênfase para a inovação tecnológica, especialmente em áreas como a inteligência artificial (IA), a mobilidade avançada e a engenharia aeroespacial, alinhando com a resposta a desafios globais como a segurança aérea e a transição energética.

Conhecedor da realidade vivida pela aviação, carente tanto de pilotos como de técnicos de manutenção de aeronaves - necessidade muito recentemente destacada tanto pela Boieng como pela Airbus, Piteira Lopes colocou no centro da sua visão a formação aeronáutica, dando-lhe destaque como motor de transformação. E para tal, ao contrário do seu antecessor, reconheceu o papel fulcral das escolas de formação no AMC, quer no presente quer naquilo que será o seu modelo futuro.

Para além de escolas como a IFA (International Flight Academy), líder na sua área de atividade, e da parceria académica anunciada com a Universidade Nova, a formação do Aeroporto no futuro integrará os pilotos ou técnicos, mas irá ainda mais além, abrangendo competências avançadas em tecnologias emergentes, como drones e sistemas autónomos, preparando os profissionais para um setor em expansão global.

Finalmente, destacaria a ênfase na sustentabilidade, ao mesmo tempo que promove a coesão territorial, beneficiando não só Cascais, mas toda a região de Lisboa.

Em resumo, essa visão é um modelo de governança moderna: pragmática, inclusiva e orientada para o futuro, com potencial para elevar Portugal no mapa da aviação europeia. Piteira Lopes demonstra assim como a liderança local pode impulsionar ambições nacionais. E onde antes escrevi ser o futuro Aeroporto de Cascais “um projeto inexplicável”, apenas posso agora escrever ter-se tornado “um projeto elogiável”.


© Expresso