Hóspedes de uma casa com cinco donos
Em janeiro de 2027, Portugal vai sentar-se no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Convém recordar, antes da fotografia, que mesa é aquela em que nos vamos sentar.
A ONU atravessou oito décadas com o mesmo desenho de 1945. Cinco cadeiras permanentes, cinco direitos de veto, um mundo que entretanto mudou de cara. Os restantes dez assentos rotativos, onde Portugal se vai instalar por dois anos, têm existido para dar a aparência de representação a uma casa cujas decisões continuam reféns de quem nunca sai dela.
Não basta uma cadeira para ter voz. Não basta ter voz para ter voto. E não basta o voto quando cinco mãos podem, sozinhas, travar tudo. O veto foi o preço pago, em 1945, para manter as grandes potências dentro da mesma sala. O problema é que, oito décadas depois, esse preço é cada vez mais pago por quem não tem lugar permanente à mesa, por quem sofre as guerras, os bloqueios, as invasões e as atrocidades que o Conselho deveria ser capaz de enfrentar.
Enquanto o processo de escolha decorria, o estreito de Ormuz estava bloqueado. O tráfego de petroleiros chegou a cair cerca de 70%, dezenas de navios ancoraram à espera de dias melhores, e os aliados recusaram enviar meios sem um mandato internacional que ninguém consegue produzir. E o........
