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“A meio do dia, temos de abandonar tudo para ir buscar uma criança à escola”

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24.09.2026

16h15. 15h15. 12h30. 13h30. São as horas a que um dos filhos sai, conforme o dia. O outro, sempre às 16h30. Escreve: “a fazer contas, a pedir favores e a tentar perceber quem pode ir buscar os nossos filhos”.

Noutra família a conta já foi feita. Sem atividades depois das aulas e sem dinheiro para quem ficasse com a filha, um deles deixou o emprego. Ficou quem ganhava menos. Era a mulher. Nenhuma lei obrigou a isso. Bastou a aritmética.

Ela pergunta: “e quando não existe ninguém, o que fazemos? Deixamos de trabalhar?”

No dia 18 de Setembro, assinalou-se o Dia Internacional da Igualdade Salarial. Falou-se de salários. Ninguém falou de horários.

Onde foram parar os ATL

Quando os meus filhos andavam na escola havia ATL: as aulas acabavam e as crianças ficavam. Entre 2000 e 2022, segundo a Carta Social, os centros de tempos livres caíram 36,4%. As creches cresceram 62,9%. Portugal investiu até aos três anos e desistiu depois das aulas.

Em 2006 o Estado generalizou as atividades de enriquecimento curricular e a escola passou a fechar mais tarde. Treze anos depois........

© Expresso