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Ucrânia e o motivo por que ainda não temos paz

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24.02.2026

Nunca fez sentido, sem ser para os russos, chamar “operação militar especial” à invasão russa da Ucrânia, de 24 de fevereiro de 2022. Mas hoje, 4 anos volvidos, esta inverdade geopolítica torna-se ainda mais absurda. Como é que se pode encarar um conflito tão prolongado e desgastante, com impactos estruturais na arquitetura de segurança europeia, na economia global e na própria natureza da guerra convencional no século XXI, como uma “operação”?

Hoje, a questão central já não está em compreender porque é que o plano inicial do Kremlin falhou, ou porque é que a “operação” que se esperava cirúrgica e rápida se tornou um pesadelo à escala global e sem fim à vista. A questão essencial é outra: em que condições uma potência agressora decide verdadeiramente negociar a paz?

A literatura clássica sobre resolução de conflitos é clara: Estados em guerra só procuram soluções negociadas quando entendem que o custo marginal de continuar o conflito supera os ganhos esperados da sua perpetuação. A negociação séria não emerge, portanto, de um voluntarismo diplomático, mas de um cálculo estratégico de insustentabilidade. Por outras palavras: uma potência só pergunta “como é que podemos sair disto?” quando reconhece que já não consegue sustentar........

© Expresso