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Eleições na Bulgária empatam destino europeu

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20.04.2026

Há justamente uma semana, a Europa experienciou uma onda de entusiasmo que foi difícil de disfarçar. A derrota de Viktor Orbán na Hungria parecia anunciar um reequilíbrio político no interior da União Europeia, ou uma correção de trajetória num espaço que, nos últimos anos, se habituou a lidar com focos internos de dissonância. Foi muito tentador, principalmente entre os mais crentes no projeto europeu, ler este resultado eleitoral como o início de uma tendência. Porém, a política europeia, e em especial a da Europa de Leste, raramente se presta a leituras lineares. A eleição deste domingo (19) na Bulgária, que levou à vitória de Rumen Radev, serve de lembrete imediato: o espaço pós-soviético continua a ser definido por ambivalências profundas, onde avanços e recuos coexistem, muitas vezes paradoxalmente.

Ao contrário do que sucedeu na Hungria, onde a vitória de um candidato mais alinhado com Bruxelas foi interpretada como uma inflexão clara, a eleição búlgara introduz um elemento de incerteza no xadrez europeu. Radev não é um outsider súbito, nem um fenómeno improvisado. Antigo Presidente da República entre 2017 e 2026 e General da Força Aérea, construiu ao longo dos anos a imagem de uma figura institucional, mas também de uma voz crítica face às elites políticas e às dinâmicas europeias que considera excessivamente intrusivas.

A sua posição em relação à Rússia tem sido um dos elementos mais distintivos do seu percurso político. Embora não se apresente como um aliado incondicional de Moscovo, Radev tem sido consistente na crítica às sanções europeias e na oposição ao envio de apoio militar à Ucrânia, defendendo antes uma abordagem mais pragmática e menos confrontacional. Essa ambiguidade entre a pertença europeia e a........

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