Álcool, tabaco, drogas e ecrãs
Colocar na mesma frase substâncias que destroem fígados e pulmões e ecrãs que exibem vídeos curtos tornou-se o novo desporto nacional do debate sobre a juventude. Na urgência de responder à crise de saúde mental dos adolescentes, uma narrativa sedutora ganhou força no espaço público: a ideia de que o feed do Instagram ou do TikTok é o equivalente contemporâneo à garrafa de bebida alcoólica, ao maço de tabaco ou até à dose de heroína.
As redes sociais, tornaram-se, assim, no pânico moral do século XXI. De facto, o raciocínio proibicionista que alimenta este novo pânico moral parece simples, sedutor, linear e incontestável. Afinal, se a lei proíbe a venda de álcool e tabaco a menores e as escolas banem alimentos ricos em açúcar das cantinas, por que razão deveríamos permitir que os jovens acedam livremente a algoritmos desenhados para viciar? Porém, misturar substâncias químicas com ecossistemas de comunicação num mesmo saco regulatório é um erro conceptual profundo. Tratar ecrãs como se fossem seringas, cria uma ilusão de proteção, promovendo uma solução punitiva para um desafio que é, na sua essência, de design, regulação e educação.
A falácia da analogia: "consumo" vs. "participação"
O primeiro grande erro da tese proibicionista é equiparar um produto de consumo unidirecional a uma praça pública digital. O tabaco, o álcool e as drogas pesadas são substâncias químicas. O corpo consome-as e sofre um impacto fisiológico e degenerativo direto. Não existe uma "dose pedagógica" de heroína nem um "uso benéfico" para o pulmão de um jovem que fuma um........
