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Se o benefício é claro, porque continuam os cuidados paliativos a ser ignorados?

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10.10.2026

Os números dos cuidados paliativos em Portugal, ou da falta deles, são conhecidos e têm sido largamente divulgados: mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável. Destas, entre 70 a 85 mil morrem todos os anos sem acesso a cuidados paliativos. São números que sabemos elevados, que significam cada um deles uma vida, uma experiência de sofrimento à qual não é dada resposta, e tenho a certeza de que é impossível alguém ficar indiferente quando os ouve.

Pode alguém ignorar um pedido de ajuda de uma pessoa que está em sofrimento? E se forem 70 a 85 mil pessoas a fazerem esse pedido de ajuda? Então porque continuam a não ser priorizados por quem o deveria fazer, em particular pela Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde

Sabemos que são muitas as áreas da saúde que precisam de investimento e atenção e que os recursos são limitados, o que torna algumas prioritárias em relação a outras. E sabemos também que, infelizmente, não é possível chegar a todo o lado. No entanto, o que me parece claro é que quando se pensa no investimento necessário para os cuidados paliativos não se equacionam os ganhos e mais-valias que esse investimento irá significar e o impacto positivo que terá, não só nos doentes que deles necessitam, mas também noutras áreas, em particular ao........

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