A aversão à opinião dissonante
A democracia portuguesa vive graves problemas porque os principais partidos vivem enormes disfunções democráticas, porque deixou de haver o cuidado de ponderar, de ver mais longe, de acolher ideias criando redes interligadas de opções políticas.
Em toda a sua vida de líder partidário, Soares só viveu um congresso em que não teve desarmonia. Era o debate vivo que ele sempre entendeu ser uma das marcas do PS.
O PPD/PSD tem uma vida partidária muito mais participada nas bases do que a do PS. Nos seus congressos, mesmo que não haja listas para a direção, há sempre outras opções que elegem militantes para o Conselho Nacional. O PS habituou-se à unanimidade fruto da longa vida no poder, quase afastou o confronto e o debate sobre o futuro.
À medida que o partido dos socialistas envelhece, perde as forças mais dinâmicas e se funcionaliza em torno dos aparelhos autárquicos, o debate interno enfraquece, o apontar de outros caminhos é entendido como sendo “jogo do inimigo”.
Há, neste tipo de reações, o seu quê de salazarismo. O país viveu muito tempo numa espécie de censura autoimposta, é o princípio de que não se fala mal da família fora de portas. À pergunta – por que não falas dentro do partido? – a resposta é sempre a mesma – em que concelhias e federações se pode fazer discussão político séria?
Ora, quem assim pensa e age, normalmente os próximos do poder circunstancial, esquecem uma coisa simples – um partido não é um clube social,........
