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Fundir ciclos para esconder o vazio: quando a reforma evita discutir o ensino básico

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24.02.2026

O Governo anunciou a intenção de fundir o 1.º e o 2.º ciclos do ensino básico, criando um ciclo único de seis anos. A proposta é apresentada como resposta a um problema real: a transição difícil entre o 4.º e o 5.º ano. No entanto, ao concentrar o debate nessa rutura específica, a política educativa volta a cometer um erro recorrente: fragmenta a análise e evita discutir o essencial — o sentido, a coerência e as finalidades do ensino básico no seu conjunto, ao longo dos seus nove anos.O ensino básico é, por definição legal e política, uma etapa unitária de formação comum. Os seus nove anos deveriam garantir a todas as crianças e jovens um núcleo sólido de conhecimentos, competências intelectuais, culturais e cívicas, independentemente da escola ou do contexto social. É à luz dessa missão que qualquer reorganização deveria ser pensada. Ao isolar a discussão nos dois primeiros ciclos, o Governo desloca o foco do problema e transforma uma questão estrutural num ajuste administrativo.A dificuldade sentida por muitos alunos na passagem para o 5.º ano não resulta apenas da mudança de ciclo. Resulta, sobretudo, de um........

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