O olhar autoral em meio ao lixo digital
Vivemos uma época em que quase tudo pode parecer criação. Em poucos cliques, modelos de inteligência artificial transformam ideias rasas em produções audiovisuais prontas para distribuição digital. E isso alimenta a esteira das principais plataformas. São milhões de horas de novos vídeos publicadas diariamente. Há muito volume, mas sem garantia de qualidade.
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Nesta semana, Neal Mohan, CEO do YouTube, divulgou uma carta que ajuda a entender esse momento de inflexão. Ao apresentar as prioridades da plataforma para 2026, ele celebra a inteligência artificial como uma força capaz de superalimentar a criatividade, permitindo que criadores experimentem novos formatos, gerem vídeos curtos a partir da própria imagem sintetizada, desenvolvam jogos a partir de textos simples ou explorem caminhos musicais antes inacessíveis.
Mas Mohan não ignora a sombra que acompanha essa promessa. Ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades criativas, ele reconhece um fenômeno crescente, batizado de AI slop. Trata-se de conteúdos de baixa qualidade, repetitivos, genéricos e produzidos de forma automática, que começam a poluir as plataformas. Segundo ele, o YouTube vem reforçando sistemas de combate a spam e clickbait para conter essa proliferação.
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