Carnaval é maratona, não tiro curto
Todo ano, o carnaval chega carregado de uma sensação curiosa de urgência. É como se fossem poucos dias para viver tudo o que ficou represado ao longo de meses. Dorme-se menos, anda-se mais, dança-se por horas, come-se mal, hidrata-se pouco. O corpo, quase sempre tratado como coadjuvante, é convocado a aguentar sem reclamar. A ideia implícita é simples: são só alguns dias, depois a gente descansa.
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O problema é que o corpo não funciona em modo “tiro curto”. Ele responde como quem corre uma maratona sem preparo.
Carnaval, para o organismo, não é um evento pontual. É uma sequência de estímulos repetidos: longas caminhadas, permanência em pé, movimentos explosivos, pisos irregulares, pouco sono, calor, desidratação. Isoladamente, nada disso é dramático. Somado, vira sobrecarga. E sobrecarga, quando ignorada, cobra seu preço.
O paciente informado e confuso
O excesso de motivação também machuca
Janeiro não é recomeço. É retomada
Talvez o maior erro seja tratar a folia como algo que exige apenas disposição mental. Vontade não substitui preparo. Empolgação não compensa fadiga. O corpo até acompanha no primeiro dia. No segundo, começa a sinalizar. No terceiro, grita. E quase sempre esses sinais são interpretados........
