Quando a distopia americana de Trump vai muito além do gênero literário
“Estamos vivendo uma distopia”, comentou um velho amigo radicado há décadas nos Estados Unidos, casado com uma norte-americana, com quem tem um casal de filhos. Pesa em sua avaliação o fato de que os imigrantes latinos são perseguidos nas ruas por agentes federais que atuam como uma verdadeira milícia patrocinada pelo presidente Donald Trump. Mascarados e fortemente armados, eles abordam trabalhadores, cercam bairros, invadem locais de trabalho e detêm pessoas com base na aparência, no sotaque ou na suspeita de situação migratória irregular. Práticas características do fascismo agora fazem parte do cotidiano da sociedade.
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Por causa da conversa com meu amigo, aguardo a chegada às livrarias de “Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana”, do jornalista Jamil Chade, cujo lançamento será em agosto. Com prefácio do cineasta Walter Salles, o livro mostra o esgarçamento da democracia nos Estados Unidos entre a campanha eleitoral de 2024 e o início do segundo governo Trump. Chade percorre os lugares onde se espalham o medo, o rancor, a pobreza e a ilusão, de Manhattan à fronteira mexicana, do Madison Square Garden aos abrigos destinados aos deportados.
O resultado é um ensaio jornalístico sobre como as democracias podem sucumbir. A força do livro decorre de sua materialidade. Os fatos aconteceram. As pessoas perseguidas têm nome, família, emprego e endereço. Os agentes que as detêm........
