Freire deixará comando do Cidadania e indica Alex Manente seu sucessor
A literatura latino-americana já descreveu com precisão clínica o momento em que um ciclo de poder se encerra. A cena de abertura de “O outono do patriarca”, de Gabriel García Márquez, permanece como uma das metáforas mais contundentes da decomposição política: “Durante o fim de semana, os urubus entraram pelas varandas da residência presidencial, bicaram as telas metálicas das janelas e o alteio de suas asas agitou o tempo estagnado lá dentro, e na madrugada de segunda-feira a cidade acordou de sua letargia de séculos com a brisa morna e macia do grande homem morto e apodrecido…”.
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A passagem simboliza o fim do “tempo interminável” do caudilho. O que parecia eterno já estava morto – apenas ninguém ousava admitir. Guardadas as proporções entre ficção e realidade, a metáfora de Gabo ilustra a crise do Cidadania, que ultrapassa a disputa sucessória. Tornou-se existencial.
Roberto Freire anunciou no X (ex-Twitter) que deixará o comando da legenda no congresso extraordinário convocado para quarta-feira, em São Bernardo, quando pretende transferir a presidência ao deputado Alex Manente. Freire retornou ao posto por decisão judicial, mas ainda enfrenta forte resistência da maioria do Diretório Nacional, que convocou outro congresso para sexta-feira. Dois congressos. Duas........
