Por que o Brasil ainda vive na "Idade Média" contra as bactérias?
"Medicina, direito, administração e engenharia são atividades nobres, necessárias à vida. Mas, poesia, beleza, romance, amor, são as coisas pelas quais vivemos." — A Sociedade dos Poetas Mortos
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Estou a 9.353 quilômetros de casa. Ainda assim, sinto o cheiro de pão de queijo. Mineiro carrega o aroma dessa iguaria impregnado na alma, como quem traz na bagagem invisível as montanhas azuladas do horizonte e o gosto da prosa mansa ao pé do fogão à lenha. O café, vá lá! O mundo aprendeu a fazer café com o nosso café. Nesse quesito, estamos em casa até na China, até nos confins onde o sol nasce diferente e as palavras são cheias de consoantes.
Aliás, estamos cada vez mais presentes nos quatro cantos do planeta. Entrei num supermercado em Munique, onde me encontro hoje, e deparei com nosso rastro em inúmeras prateleiras. Da carne ao melão, do arroz ao feijão — sim, feijão, esse companheiro inseparável de toda refeição que se preze. Tudo ostentando a rubrica verde e amarela, como medalhas de uma guerra silenciosa que travamos nos campos. Enchemos o estômago de boa parte do mundo com um agro cada vez mais tecnologizado, quase futurista. Satélites sugerem o dia de plantar e de colher, como se a terra fosse um paciente cujos sinais vitais precisam ser monitorados à distância. Vaca com chip, boi com peso mais controlado do que o dos próprios donos — uma ironia que meu avô, homem simples, saboreava com sorriso discreto de quem conhece as contradições humanas.
Andando meio perdido pelo centro histórico da cidade, em meio a rostos de gente do mundo inteiro, não pude deixar de pensar na beleza e na tragédia da raça humana. Olhos puxados, turbantes coloridos, cabelos verdes, vermelhos, gente bela e bem nutrida perambulando pelas ruas largas e limpas. O contraste é brutal quando se chega próximo à estação de........
