O morcego e a saúde única
O ditado é infalível: cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça. Basta falar que tem uma epidemia do outro lado do mundo e que o morcego é a base do problema para que o mundo trema nas bases. Quando o manobrista do estacionamento onde paro o meu carro vem me perguntar, com ar preocupado, sobre uma nova epidemia é sinal de que o trauma da COVID-19, ainda faz parte da memória coletiva.
Quando os deuses gregos inventaram Pandora e sua caixa de desgraças, certamente não imaginavam que, milênios depois, estaríamos abrindo caixas semelhantes com a mesma curiosidade autodestrutiva. Só que agora não são caixas: são florestas desmatadas, mercados de animais silvestres e termômetros planetários subindo como febre de dengue em janeiro.
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O Nipah vírus está de volta aos holofotes – ou melhor, às manchetes dos aeroportos asiáticos, onde termômetros infravermelhos apontam para testas suadas como revólveres epidemiológicos. Desde dezembro de 2025, a Índia confirmou dois casos em West Bengal, colocou 196 contatos em quarentena e, com aquele otimismo burocrático que conhecemos bem, anunciou que "conteve" o surto. Enquanto isso, na Tailândia, cinco profissionais de saúde lutam pela vida em estado crítico, 110 pessoas estão isoladas, e os aeroportos de Phuket e Bangkok viraram postos de triagem, dignos de um filme de ficção científica dos anos 1990.
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