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O câncer

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15.09.2026

O nome já faz o indivíduo tremer nas bases. Assusta gregos e troianos. Digo a palavra no consultório e vejo a cadeira à minha frente ficar subitamente vazia, embora o paciente continue sentado nela. Entretanto, o câncer é hoje, em quase todas as suas formas, doença prevenível, tratável e curável — desde que diagnosticada a tempo e hora. O problema nunca foi a palavra. Foi o atraso.

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Mas há um outro câncer, que não aparece em tomografia nenhuma, e que tenho visto corroer a sociedade de modo profundo e devastador. Também esse pode ser prevenido, tratado e curado, quando diagnosticado a tempo.

Vale lembrar o que é um tumor. Não é invasão, não é vírus nem bactéria chegando de fora com bandeira estrangeira. Passei a vida entre os invasores e os, “acho”, quase honestos: anunciam-se com febre, e a gente sabe de que lado está. O câncer é feito de nós. É a nossa própria célula que um dia deixa de obedecer à assembleia dos tecidos e resolve crescer por conta própria. Não há inimigo. Há deserção.

E há a angiogênese, a mais exata das metáforas políticas. Sozinho, o tumor morreria de fome; para crescer, precisa convencer o tecido vizinho — sadio, bem-comportado, de boa família — a construir para ele estradas e vasos. E o tecido constrói: fabrica artérias para alimentar aquilo que vai matá-lo. Nenhum tumor prospera sem colaboração.

Agora, o caso. Um banco oferecia papéis a 140% do CDI, garantidos pelo fundo que garante todos nós:........

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