menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Espíritos votam?

19 0
04.10.2026

Acordei cedo, como quem tem compromisso com a pátria e com a bicicleta. A pátria ficava para as nove; a bicicleta veio antes, às seis. Rodei na estrada de Confins, com o céu ainda indeciso entre o cinza e o azul, e pensei que o céu de Belo Horizonte, neste domingo, era o único eleitor com direito a não escolher. Um biguá secava as asas num poste, imóvel como um candidato que não comparece ao debate. Não o julguei. Bicho molhado, arisco e escaldado tem suas razões.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Li a crônica do Ruy Castro, cronista que me inspira. Ele chamou de anticlímax a noite de quinta na televisão: um candidato que avisou que não iria, e outro que foi, mas saiu aos 44 do segundo tempo, como quem lembra de repente que deixou o gás ligado. Ruy, que escreveu a vida do Garrincha, sabe que há jogadores que driblam o adversário e há os que driblam o jogo. Fiquei com a imagem da cadeira vazia e do pódio abandonado, dois móveis de estúdio ocupando o lugar que caberia duas pessoas. E me veio a pergunta que dá título a esta crônica, e que não sei responder: espíritos votam?

Porque foi isso que o Brasil viu: um debate inexistente entre ausências. Uma ausência anunciada e uma ausência que se produziu ao vivo, diante das câmeras, como quem evapora ao sopro do Supremo. A gente, do sofá, assistiu a um programa de ectoplasmas. O moderador falava para o ar. O ar não........

© Estado de Minas