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Big Techs e as novas guerras do ópio

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29.08.2026

“Permita-nos perguntar: onde está a sua consciência? Ouve-se dizer que o fumo do ópio é estritamente proibido no vosso próprio país; isso ocorre porque o dano causado pelo ópio é claramente compreendido lá. Se não é permitido fazer mal ao vosso próprio país, muito menos se deve permitir que esse mal seja passado para outros países – e menos ainda para a China!” Em 1839, o comissário imperial da China Lin Zexu dirigiu carta aberta à Rainha Vitória, jovem monarca do Império Britânico.

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Era uma tentativa diplomática de evitar a escalada do conflito entre China e a Grã Bretanha, depois da determinação do imperador Daoguang (1820-1850), o oitavo da dinastia Qing, de imposição do cerco comercial e o confisco do ópio produzido na Índia, que entrava ilegalmente no país, pela ação da Companhia das Índias Orientais. Viciar chineses foi o caminho encontrado por britânicos, para reverter o déficit comercial de sua balança de pagamentos, decorrente da elevada demanda pelo chá, seda e porcelana chineses.

O crescimento vertiginoso do vício devastou a saúde pública e desestabilizou a economia chinesa. Nesse contexto, o imperador nomeou o comissário Lin Zexu para confiscar e destruir toneladas da droga em Cantão, ato que, naquele ano de 1839, motivou a reação militar britânica. Assim se iniciaram as chamadas Guerras do Ópio (1839–1842 e 1856–1860).

Menos de duzentos anos depois, as sociedades se debatem contra novos vícios, em meio à transição da ordem global do capitalismo para aquilo que teóricos chamam de tecnofeudalismo. A........

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