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Perigos da obesidade infantil

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Alerta aos pais: estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 130 pacientes de 6 a 11 anos mostrou que a obesidade pode causar danos imediatos à saúde cardiovascular infantil, aumentando, já na infância, o risco de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Obesidade infantil supera a desnutrição pela primeira vez no mundo

O trabalho, apoiado pela Fapesp, identificou sinais precoces de inflamação e disfunção no endotélio (camada que reveste os vasos sanguíneos) em crianças com sobrepeso e obesidade.

Pesquisadores explicam que a obesidade promove inflamação crônica e de baixo grau que deixa o sistema de defesa do organismo em constante alerta, gerando uma sucessão de falsos alarmes e o envelhecimento prematuro das células imunes.

O processo inflamatório provoca dano celular no endotélio, mesmo em crianças, o que aumenta a gravidade da obesidade infantil.

Uma em cada cinco crianças ou adolescentes tem obesidade ou sobrepeso

O estudo identificou que crianças com sobrepeso ou obesidade já apresentam sinais de inflamação e disfunção endotelial, indicando que o processo de adoecimento cardiovascular começa na infância, mesmo antes de outros fatores de risco aparecerem.

Crianças não fumam, não bebem e não têm décadas de maus hábitos considerados fatores de risco para doenças cardiovasculares. Não há influência de hormônios sexuais sobre elas. O único fator presente é o excesso de peso. Isso prova que a obesidade, por si só, é suficiente para iniciar o processo inflamatório crônico de baixo grau, com impacto direto na saúde vascular.

Alimentos ultraprocessados levam à obesidade infantil

A pesquisa mediu o índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, pressão arterial e função endotelial da microvasculatura. Crianças com sobrepeso e obesidade apresentaram pior desempenho do Índice de Hiperemia Reativa (RHI), que avalia a saúde dos microvasos, além de maior expressão do gene TNF-alfa, fator que se correlacionou com os níveis elevados de EMPs e a piora da função endotelial.

Foi realizado trabalho de conscientização e treinamento com merendeiras e responsáveis por crianças, no qual foram ensinadas receitas que substituem ultraprocessados, priorizando alimentos saudáveis.

Pesquisadores defendem a necessidade urgente de ampliar e fortalecer políticas públicas para prevenir a obesidade infantil, especialmente em comunidades com vulnerabilidade socioeconômica. Além de todo o problema de cunho individual, sem intervenção precoce as crianças tendem a se tornar adultos com doenças cardiovasculares e metabólicas. O problema traz impacto preocupante para a saúde pública e para a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.


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