Notícia | Você é resiliente ou apenas aprendeu a normalizar o inaceitável?
Você está há alguns anos na mesma empresa. O ambiente não é saudável, a relação com o gestor é difícil e o desgaste emocional já virou parte da rotina. Ainda assim, quando alguém pergunta como você está, a resposta sai quase automática: “está puxado, mas dá para aguentar”.
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Em algum momento, o mercado de trabalho começou a tratar essa resposta como sinal de maturidade. Aguentar virou sinônimo de resiliência. E, nesse processo silencioso, gerações inteiras aprenderam a normalizar o que deveria ser questionado.
Depois de quase duas décadas observando carreiras de perto e de conduzir mais de dez mil conversas com executivos em diferentes níveis e setores, identifiquei um dos erros mais comuns do mundo profissional: confundir resiliência com a capacidade de sofrer calado. O mercado romantizou a resiliência e ensinou que reclamar é fraqueza, sair é desistir e permanecer, independentemente do custo humano, é virtude.
O erro não está apenas no indivíduo que “aguenta”. Está no sistema que premia quem sofre em silêncio e chama isso de força. Historicamente, o conceito de resiliência vem da física e descreve a capacidade de um material absorver impacto e retornar à sua forma original.
No mundo corporativo, essa ideia foi distorcida. Resiliência passou a significar tolerar pressão ilimitada, suportar abuso, sobreviver por longos períodos em ambientes disfuncionais sem questionar.
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Isso não é resiliência. É adaptação patológica. Você aprende a funcionar onde não deveria nem estar.
Nassim Taleb, em Antifrágil, trouxe uma distinção fundamental. Ele propõe três categorias: o frágil, que quebra sob pressão; o resiliente, que resiste e volta ao estado original; e o antifrágil, que se fortalece com o estresse adequado. A verdadeira força profissional........
